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domingo, fevereiro 8, 2026
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Chanceler do Irã sobre negociação de acordo militar com EUA: ‘Nossa bomba atômica é o poder de dizer não às grandes potências’

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Estados Unidos e Irã retomam negociações sobre programa nuclear
O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, afirmou neste domingo (8) que o governo iraniano não abrirá mão de sua capacidade de enriquecer urânio nas negociações com os Estados Unidos sobre um novo acordo nuclear.
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Falando a diplomatas em uma cúpula em Teerã, o ministro das Relações Exteriores, que foi um dos presentes em Omã para a primeira rodada de conversas com Washington, negou que o Irã tenha interesse em construir uma bomba atômica, como acusam os EUA e países europeus e afirmou:
“Acredito que o segredo do poder da República Islâmica do Irã reside em sua capacidade de resistir à intimidação, à dominação e às pressões de outros. Eles temem nossa bomba atômica, embora não estejamos buscando desenvolvê-la. Nossa bomba atômica é o poder de dizer não às grandes potências. O segredo do poder da República Islâmica está no poder de dizer não aos poderes”.
As negociações do acordo
Na sexta-feira (6), o Irã e os Estados Unidos iniciaram as negociações para um novo acordo nuclear. Após semanas de trocas de ameaças entre os dois países, Abbas Araghchi disse que a reunião teve uma “atmosfera muito positiva”, com os dois lados concordando em avançar nas negociações.
“Em um clima muito positivo, nossos argumentos foram trocados e os pontos de vista da outra parte nos foram apresentados”, disse Araqchi à TV estatal iraniana, acrescentando que as duas partes “concordaram em continuar as negociações, mas decidiremos posteriormente sobre as modalidades e o cronograma”.
Araqchi disse à agencia de notícias estatal Irna na sexta que reiterou aos EUA que qualquer diálogo entre os países só evoluirá se Washington parar com as ameaças de agressão militar.
O Ministro das Relações Exteriores do Irã , Abbas Araghchi, e sua delegação partem para o local das negociações em Muscat, Omã
Ministério das Relações Exteriores do Irã /WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental)/Divulgação via REUTERS
Pouco antes das declarações do ministro, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã anunciou que as negociações haviam terminado “por enquanto”, o que causou frustração, já que foram apenas algumas horas após o início das conversas entre representantes dos dois países.O encontro entre EUA e Irã durou cerca de seis horas. Começou pouco antes das 5h, no horário de Brasília, e terminou pouco antes das 11h.
“Os negociadores retornarão às suas capitais para consultas e as conversas continuarão. A barreira da desconfiança deve ser superada”, afirmou o porta-voz.
No mesmo dia, ao embarcar para um fim de semana de folga em sua casa na Flórida, o presidente dos EUA, Donald Trump, também elogiou a reunião com o Irã. Disse que os representantes de seu governo tiveram “conversas muito boas” com os de Teerã.
▶️ Contexto: O encontro ocorreu em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e do envio de reforços militares americanos para a região. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou preferir a via diplomática, mas disse que pode optar por uma ação militar caso não haja acordo.
Autoridades americanas e iranianas divergem sobre a pauta das negociações.
Os EUA querem limitar o alcance dos mísseis balísticos iranianos, acabar com o apoio de Teerã a grupos armados na região e interferir em questões internas do país.
Segundo a Casa Branca, Trump também quer “capacidade nuclear zero” do Irã.
O Irã defende que as conversas fiquem apenas entorno do programa nuclear do país.
O governo iraniano afirma que o programa nuclear tem fins pacíficos. Por outro lado, Estados Unidos e Israel acusam o país quer desenvolver armas nucleares.
Os porta-aviões USS Abraham Lincoln e um B-52H Stratofortress da Força Aérea dos Estados Unidos realizaram manobras conjuntas em junho de 2019
Brian M. Wilbur/Forças Armadas dos EUA
Os EUA enviaram soldados, um porta-aviões, navios de guerra, aviões de combate, aeronaves de vigilância e aviões-tanque para o Oriente Médio para pressionar o Irã. Trump afirmou que “coisas ruins” provavelmente acontecerão se não houver acordo.
Na véspera do encontro, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o Irã deve lembrar que Trump, como comandante das Forças Armadas, dispõe de alternativas além da diplomacia.
Ao mesmo tempo, a TV estatal iraniana informou que um dos mísseis balísticos de longo alcance mais avançados do país, o Khorramshahr 4, foi posicionado em uma base subterrânea da Guarda Revolucionária.
O míssil tem alcance de até 2.000 km e capacidade para transportar uma ogiva de até 1.500 kg.
Os EUA pressionam o Irã a adaptar os mísseis para um alcance menor.
Segundo fontes iranianas, os norte-americanos querem limitar esse alcance a cerca de 500 km.
Preocupação internacional
Líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e o presidente dos EUA, Donald Trump
WANA (West Asia News Agency) via Reuters; Nathan Howard/Reuters
As ameaças de Trump e as promessas iranianas de contra-ataque levaram governos da região a tentar reduzir a tensão.
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou trabalhar para evitar que o confronto se transforme em um novo conflito no Oriente Médio. Países árabes do Golfo temem que bases americanas em seus territórios se tornem alvos em caso de ataque ao Irã.
Além disso, o chanceler alemão, Friedrich Merz, disse haver “grande preocupação” com uma possível escalada e pediu que o Irã ajude a trazer estabilidade à região.
Já a China declarou apoio ao direito iraniano ao uso pacífico da energia nuclear e criticou ameaças de força e sanções.
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