spot_img
sábado, janeiro 3, 2026
spot_img
HomeMundoApoio, crítica ou cautela: como países da América Latina reagiram ao ataque...

Apoio, crítica ou cautela: como países da América Latina reagiram ao ataque dos EUA na Venezuela?

-


Trump divulga imagem de Nicolás Maduro a bordo do USS Iwo Jima
Líderes da América Latina dividiram-se entre apoio explícito, cautela diplomática e crítica severa à ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela, na madrugada deste sábado (3).
O ataque resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, segundo anunciou o presidente americano Donald Trump.
AO VIVO: acompanhe as notícias mais recentes sobre o ataque
A operação fez com que governos latino-americanos:
repudiassem a intervenção americana, defendendo a supremacia da Venezuela (caso de Colômbia, Brasil, Uruguai e Cuba);
focassem no desgaste do chavismo após anos de colapso econômico, violações de direitos humanos e uma crise migratória sem precedentes (Argentina, Equador, Panamá, Paraguai e o novo governo do Chile);
ou usassem os dois argumentos acima para sustentar uma postura mais cautelosa (Peru e Boric, presidente em fim de mandato no Chile).
Para o cientista político Steven Levitsky, da Universidade Harvard, as reações seguem linhas ideológicas previsíveis.
“Governos de direita tendem a aplaudir; governos de esquerda tendem a condenar. O surpreendente seria o contrário”, afirmou.
Países que apoiaram a ação ou comemoraram a captura
➡️Governos alinhados à direita ou críticos históricos do chavismo manifestaram apoio aberto à ofensiva ou celebraram a prisão de Maduro.
Argentina
O presidente da Argentina, Javier Milei, aliado próximo de Trump, publicou mensagens e vídeos nas redes sociais elogiando a operação e novamente classificando o regime venezuelano como uma ditadura.
Em comunicado oficial, o governo de Milei celebrou a captura de Nicolás Maduro, definido pelo documento como “o maior inimigo da liberdade no continente”, e expressou seu apoio para que Edmundo González Urrutia e María Corina Machado liderem a restauração da democracia na Venezuela, após “anos de opressão socialista”.
Equador
No Equador, o presidente Daniel Noboa afirmou que “todos os narcochavistas criminosos terão sua hora” e declarou apoio à oposição venezuelana. Segundo ele, o povo do país “tem um aliado no Equador” para recuperar a democracia.
Paraguai
O Paraguai adotou um discurso ainda mais duro. Em comunicado oficial, o governo classificou Nicolás Maduro como líder de uma organização criminosa formalmente declarada terrorista pelas autoridades paraguaias.
O documento afirma também que a permanência de Maduro no poder representava uma ameaça à estabilidade regional — a saída do líder abriria um caminho imediato para a restauração do Estado de Direito e para uma transição democrática baseada na vontade popular expressa nas urnas.
Panamá
O Panamá também se posicionou a favor de uma mudança política em Caracas. Em publicação nas redes sociais, o presidente José Raúl Mulino afirmou que seu governo defende a democracia e o respeito aos “legítimos desejos do povo venezuelano”, expressos, segundo ele, nas urnas que elegeram Edmundo González.
Mulino disse ainda que o Panamá apoiará a paz e um processo de transição “ordenado e legítimo”.
Chile (presidente eleito)
No Chile, o presidente eleito José Antonio Kast comemorou a prisão de Maduro e afirmou que a captura é uma boa notícia para a América Latina. Segundo ele, os governos da região devem atuar para desmontar todo o aparato do regime venezuelano e responsabilizar seus integrantes. Kast toma posse em 11 de março.
Países que adotaram cautela diplomática
➡️Alguns governos evitaram endossar diretamente a ação militar dos Estados Unidos, mas responsabilizaram o governo Maduro pela crise venezuelana e defenderam uma transição política.
Peru
O Peru reafirmou o compromisso com o Direito Internacional e com a solução pacífica de controvérsias, mas acusou o governo de Nicolás Maduro de: violações sistemáticas de direitos humanos, detenções arbitrárias e destruição do Estado de Direito.
Lima também alertou para o avanço do crime organizado transnacional a partir da Venezuela e afirmou estar monitorando a situação da comunidade peruana no país.
Chile (presidente em fim de mandato)
O Chile, por meio do presidente em fim de mandato Gabriel Boric, condenou o ataque, mas reforçou que a saída para a crise venezuelana deve ser democrática e institucional. Não houve menção direta a sanções ou represálias.
Países que condenaram os ataques dos EUA
➡️Governos de esquerda reagiram com forte condenação à ofensiva norte-americana e apontaram violação da soberania venezuelana e do Direito Internacional.
Colômbia
Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro afirmou que a ação representa uma agressão à Venezuela e à América Latina e pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU, do qual o país é membro. Petro alertou para os riscos de escalada militar e para a ameaça à estabilidade regional.
Brasil
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse em nota que os bombardeios em território venezuelano e a captura de seu chefe de Estado “ultrapassam um limite inaceitável” e ferem princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas.
Ainda na publicação, Lula afirmou que a ação militar desta madrugada é uma flagrante violação do direito internacional e abre espaço para um mundo de “violência, caos e instabilidade”.
Uruguai
O Uruguai afirmou acompanhar os acontecimentos com “atenção e séria preocupação” e rejeitou qualquer forma de intervenção militar entre Estados.
O governo uruguaio condenou os ataques aéreos contra instalações militares e infraestrutura civil venezuelana, reafirmou o compromisso com o Direito Internacional e destacou a posição histórica da América Latina e do Caribe como uma zona de paz. Montevidéu informou ainda manter contato permanente com seu consulado em Caracas para acompanhar a situação de seus cidadãos.
Cuba
Fora da América do Sul, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, classificou a ofensiva dos EUA como um “ataque criminoso” e acusou Washington de praticar “terrorismo de Estado” contra o povo venezuelano e a América Latina. Ele pediu uma reação urgente da comunidade internacional e afirmou que uma região definida como zona de paz está sendo “brutalmente atacada”.
Até a última atualização desta reportagem, não havia balanço oficial de mortos ou feridos.
Tira-dúvidas do ataque americano à Venezuela
Abaixo, tire suas dúvidas:
Nicolás Maduro foi realmente capturado?
Onde Nicolás Maduro está agora?
Em que local Maduro será julgado?
Quem governa a Venezuela neste momento?
Como foi o ataque militar?
Houve vítimas na operação?
Qual tropa capturou Nicolás Maduro?
Como Donald Trump classificou a operação?
Quais acusações pesam contra Maduro?
Especialistas concordam com a versão dos EUA sobre o cartel?
Essa foi a primeira ação militar dos EUA na Venezuela?
🔴Nicolás Maduro foi realmente capturado?
Sim, de acordo com o governo americano. Trump anunciou que Maduro e Cilia Flores foram capturados por forças americanas após a operação militar e colocados sob custódia dos EUA, com destino ao sistema judicial americano.
Voltar ao menu de navegação
🔴Onde Nicolás Maduro está agora?
Maduro está sob custódia dos Estados Unidos, em local mantido em sigilo por razões de segurança, segundo o próprio governo americano. Ele e a esposa serão levados em um navio de guerra até Nova York, onde ocorrerá o julgamento, de acordo com Trump.
A vice-presidente da Venezuela afirma desconhecer o paradeiro do líder e exige uma prova de vida dele e da primeira-dama.
Voltar ao menu de navegação
🔴Em que local Maduro será julgado?
Maduro e esposa serão julgados em tribunal de NY; paradeiro de presidente é desconhecido
O julgamento ocorrerá em Nova York, no Tribunal Federal do Distrito Sul, onde Maduro e Cilia Flores foram formalmente denunciados pela Procuradoria-Geral dos Estados Unidos.
Voltar ao menu de navegação
🔴Quem governa a Venezuela neste momento?
Pela legislação venezuelana, o poder deveria passar à vice-presidente, Delcy Rodríguez, em caso de ausência do presidente. Ainda não há confirmação oficial de que ela tenha assumido.
Voltar ao menu de navegação
🔴Como foi o ataque militar?
Pedestres correm após explosões e aviões voando baixo serem ouvidos em Caracas, Venezuela, sábado, 3 de janeiro de 2026
AP Photo/Matias Delacroix
A ofensiva durou menos de 30 minutos, segundo informações da Associated Press. Moradores relataram ao menos sete explosões, voo baixo de aeronaves militares, tremores e quedas de energia em áreas próximas a instalações estratégicas.
Pessoas correram para as ruas e relataram o ocorrido nas redes sociais. Não há, até agora, um balanço oficial de mortos ou feridos.
Voltar ao menu de navegação
🔴Houve vítimas na operação?
Autoridades venezuelanas afirmam que houve mortes no país, mas ainda sem números consolidados. Um oficial dos EUA disse que não ocorreram baixas americanas durante a operação.
Voltar ao menu de navegação
🔴Qual tropa capturou Nicolás Maduro?
A captura foi realizada pela Força Delta, unidade de elite do Exército dos Estados Unidos especializada em missões secretas e na prisão de alvos considerados estratégicos.
Voltar ao menu de navegação
🔴Como Donald Trump classificou a operação?
Trump descreveu a ação como uma “operação brilhante”, resultado de intenso planejamento e da atuação de “grandes tropas”. Disse ainda que se tratou de um ataque de grande escala, conduzido em coordenação com forças militares e de segurança dos EUA.
Voltar ao menu de navegação
🔴Quais acusações pesam contra Maduro?
Maduro e Cilia Flores respondem em Nova York por:
conspiração para narcoterrorismo;
importação de cocaína
e posse de armas de guerra.
O governo americano afirma que ele lidera o chamado Cartel de los Soles.
Voltar ao menu de navegação
🔴Especialistas concordam com a versão dos EUA sobre o cartel?
Não plenamente. Analistas afirmam que o Cartel de los Soles não opera como uma organização centralizada, mas como uma rede difusa de militares envolvidos no tráfico, sem provas de que Maduro comande diretamente o esquema.
Mas há indícios de que Maduro, mesmo não sendo o líder, é um dos principais beneficiários de uma “governança criminal híbrida” que ele mesmo ajudou a instalar no país.
Para Jeremy McDermott, cofundador e codiretor do InSight Crime (fundação que estuda o crime organizado nas Américas), Maduro e os chavistas não controlam o tráfico, mas distribuem concessões a militares e aliados, em troca de sua manutenção no poder.
Voltar ao menu de navegação
🔴Essa foi a primeira ação militar dos EUA na Venezuela?
Não. Antes da captura, os EUA já haviam realizado ataques com drones, ações contra embarcações suspeitas de narcotráfico e operações contra navios petroleiros venezuelanos, ampliando a pressão econômica e militar sobre o país.
Voltar ao menu de navegação

Related articles

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Stay Connected

0FansLike
0FollowersFollow
0FollowersFollow
22,800SubscribersSubscribe
spot_img

Latest posts