Wagner Moura no evento dos indicados ao Oscar 2026
REUTERS/Mario Anzuoni
Wagner Moura comentou sobre a situação dos Estados Unidos em relação às táticas de controle da imigração adotadas pelo governo de Donald Trump. Em entrevista ao jornal “El País”, o ator indicado ao Oscar por “O Agente Secreto” afirmou temer como reagiria caso se deparasse com agentes do ICE.
“Estamos atravessando um momento muito feio; até eu tenho medo de me deparar com o ICE. Digo isso porque reajo de maneira explosiva quando vejo uma situação de injustiça ou de autoritarismo diante dos meus olhos. E agora não sei se conseguiria fazer isso, porque esses caras podem te matar, como vimos”, disse.
Wagner Moura é indicado ao Oscar de Melhor Ator
O ator fez um paralelo entre o Brasil e os Estados Unidos, ressaltando como regimes autoritários tendem a atacar artistas, jornalistas e intelectuais.
“Vivemos tempos muito tristes. É curioso como se repetem os mesmos padrões que ocorreram no Brasil. Por exemplo, demonizar os atores, os artistas, os jornalistas e as universidades. A extrema direita no Brasil foi muito eficaz em transformar, diante das pessoas, os artistas brasileiros em inimigos do povo. Com um discurso com mensagens como a de que essa gente vive do dinheiro público. Ou como conseguiram fazer com que a verdade desaparecesse”, explica Moura.
Ele também destacou o impacto das redes sociais nesse cenário. “Há cerca de dez anos, no Brasil, fomos muito ingênuos. Pensávamos que o Facebook podia ser uma ferramenta de conexão, de mobilização das pessoas e de democratização da informação. Hoje é evidente a união entre os oligarcas da tecnologia e a extrema direita. De alguma forma, nós, os progressistas, perdemos a batalha das redes sociais. Mas é preciso continuar insistindo, continuar lá, com pequenas desobediências”, afirmou.


