
Documento com título “histórico de buscas de Pramila Jayapal” nas mãos da procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, durante audiência no Congresso em 11 de fevereiro de 2026.
REUTERS/Kent Nishimura
O depoimento da procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, no Congresso na quarta-feira (11) agravou a polêmica do caso Epstein, que nas últimas semanas tomou conta do país. A chefe do Departamento de Justiça foi “flagrada” com dossiês com históricos de pesquisa dos deputados aos arquivos do caso, o que gerou críticas da oposição democrata.
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Em determinado momento da audiência, fotógrafos presentes no Capitólio fotografaram Bondi manuseando uma página contendo o título “histórico de buscas de Pramila Jayapal” e uma série de números de arquivos do caso Epstein acessados pela deputada democrata. Veja na foto acima.
A deputada democrata acusou o Departamento de Justiça norte-americano de espionar membros do Congresso e foi acompanhada por diversos colegas.
“Pam Bondi levou hoje ao Comitê Judiciário um documento que continha um histórico exatamente dos documentos que pesquisei. (…) É totalmente inapropriado e contrário à separação de Poderes que o Departamento de Justiça nos vigie enquanto consultamos os arquivos de Epstein. (…) Isso é ultrajante, e eu pretendo levar isso adiante e pôr fim a essa espionagem contra membros do Congresso”, afirmou Pramila em suas redes sociais.
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Pramila e diversos outros deputados de ambos os partidos estão indo nesta semana à sede do Departamento de Justiça para ter acesso privilegiado aos documentos do escândalo sexual, divulgados no final de janeiro. Os deputados, inclusive, acusaram o governo Trump de “acobertamento” porque as versões que eles visualizaram continuavam com tarjas.
O acesso privilegiado foi concedido aos membros do legislativo após uma petição na Câmara dos Deputados assinada por 217 integrantes obrigar o governo Trump a dar acesso às versões com menos tarjas em relação às divulgadas ao público. Segundo uma apuração do g1, ao menos 17 deputados afirmaram publicamente que foram ao Departamento de Justiça nesta semana para visualizar os arquivos.
O governo Trump enfrenta uma crise por conta da divulgação dos arquivos do caso de Jeffrey Epstein, um bilionário acusado de comandar uma rede de tráfico sexual de menores e que tinha uma rede de contatos que envolvia os homens mais poderosos do mundo. Epstein morreu na prisão em 2019.
Autoridades do governo Trump não se manifestaram publicamente sobre as acusações de espionagem até a última atualização desta reportagem.
Além da polêmica do histórico de buscas, a audiência de Pam Bondi no Congresso na quarta-feira foi repleta de momentos tensos e de bate-bocas entre a procuradora-geral e os deputados, que a questionaram sobre a atuação do governo na investigação do caso e sobre possíveis elos entre o presidente dos EUA, Donald Trump, com o escândalo sexual.
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O deputado Jamie Raskin, líder dos democratas no Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados, também acusou o governo Trump de espionar os congressistas durante o acesso aos arquivos do caso Epstein e exigiu que o Departamento de Justiça pare imediatamente com a prática, que chamou de “ultrajante”.
“Não apenas o Departamento de Justiça reteve ilegalmente documentos do Congresso e do povo americano. Não apenas a procuradora-geral Bondi deixou de apresentar uma única denúncia contra qualquer co-conspirador de Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell. Mas agora Bondi e sua equipe estão espionando membros do Congresso que exercem sua função de fiscalização, em mais uma tentativa flagrante de interferir nos processos de supervisão do Congresso”
Segundo Raskin, o acesso dos deputados aos arquivos de Epstein ocorre com funcionários do Departamento de Justiça “observam por cima de seus ombros” e registrando detalhadamente tudo que eles pesquisam. Na quarta, ele já havia criticado o governo Trump por dedicar apenas quatro computadores para o uso dos legisladores.
Procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, depõe em audiência do Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados em 11 de fevereiro de 2026.
REUTERS/Kent Nishimura
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