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domingo, janeiro 11, 2026
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Família da escritora Chimamanda Ngozi acusa hospital de negligência por morte de filho de 21 meses

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Chimamanda Ngozi
BBC/Jeff Overs
A família da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie acusou um hospital de negligência pela morte de seu filho de 21 meses.
Nkanu Nnamdi morreu em um hospital na Nigéria na quarta-feira (7/1) poucos dias após adoecer, deixando a família da escritora “devastada”.
A família diz que houve uma série de falhas no Hospital Euracare, em Lagos, que levaram à morte do bebê, incluindo a negação de oxigênio e a administração de sedação excessiva, que teria provocado um ataque cardíaco no menino.
O hospital expressou suas “mais profundas condolências” pela morte da criança, mas negou ter prestado atendimento inadequado. O hospital diz que o atendimento do menino seguiu padrões internacionais.
A instituição acrescentou que Nkanu chegou ao hospital em estado crítico e que uma investigação sobre a morte já está em andamento.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
A cunhada de Adichie, Anthea Nwandu, fez uma série de acusações contra o hospital em uma entrevista à emissora nigeriana Arise TV no sábado.
Na entrevista, ela disse que o diretor médico do Hospital Euracare disse a Adichie que seu filho havia recebido sedação em excesso, o que posteriormente causou um ataque cardíaco.
Nwandu também acusou a equipe médica de deixar o menino sem supervisão, negar-lhe oxigênio e transportá-lo de uma maneira que não estava de acordo com os padrões de atendimento.
Ela afirmou que Nkanu sofreu uma lesão cerebral devido à falta de oxigênio.
Acusações semelhantes sobre o atendimento de Nkanu foram feitas em uma mensagem privada de Adichie que vazou online.
Sua porta-voz, Omawumi Ogbe, disse à BBC que a mensagem havia sido compartilhada originalmente em um círculo restrito de familiares e amigos e não era para o público externo.
Ogbe continuou: “Embora estejamos tristes com o vazamento de um relato tão pessoal de luto e trauma, os detalhes nele contidos destacam as falhas clínicas devastadoras que a família agora é forçada a enfrentar.
Esperamos que a essência dessa mensagem, detalhando a grave negligência médica que levou a essa tragédia, permaneça o foco central, mesmo enquanto aguardamos a verdade e a responsabilização.”
Nkanu era um dos gêmeos que Adichie teve com seu marido, Ivara Esege.
Em resposta às alegações, o Hospital Euracare reconheceu a “perda profunda e inimaginável” que a família está vivenciando, mas afirmou em um comunicado no sábado que “os relatos que estão circulando contêm imprecisões”.
O comunicado afirmou que Nkanu, que estava em estado crítico, foi encaminhado ao hospital após receber tratamento em dois centros pediátricos e que, ao chegar, a equipe “prestou atendimento imediato de acordo com os protocolos clínicos estabelecidos e os padrões médicos internacionalmente aceitos, incluindo a administração de sedação”.
O comunicado prossegue: “Durante o seu tratamento, trabalhamos em colaboração com equipes médicas externas, como recomendado por sua família, e garantimos que todo o suporte clínico necessário fosse fornecido.”
No entanto, “apesar desses esforços conjuntos”, o menino morreu menos de 24 horas após chegar ao hospital, acrescentou a instituição.
Uma “investigação detalhada” está em andamento, disse a Euracare, acrescentando que permanece “comprometida em se envolver de forma transparente e responsável com todos os processos clínicos e regulatórios”.
Adichie, de 48 anos, teve sua primeira filha em 2016. Seus gêmeos nasceram por meio de barriga de aluguel, em 2024.
A premiada escritora radicada nos EUA é conhecida por obras como “Americanah”. Sua palestra no TED de 2012 e o ensaio “Sejamos todos feministas” foi sampleado por Beyoncé em sua música “Flawless”, de 2013.
O presidente da Nigéria expressou suas condolências pela morte de Nkanu.
O sistema de saúde da nação africana tem sofrido recentemente com uma grave escassez de médicos, fazendo com que profissionais de saúde trabalhem longas horas e precisem conciliar empregos em hospitais públicos e privados.
Em resposta às alegações referentes a Nkanu, a porta-voz do Ministério da Saúde do estado de Lagos, Kemi Ogunyemi, afirmou que o órgão “atribui o maior valor à vida humana e mantém tolerância zero para negligência médica ou conduta antiética”.
Ela confirmou que o órgão de vigilância sanitária do estado havia iniciado uma investigação “completa, independente e transparente” sobre as circunstâncias da morte.
“Qualquer indivíduo ou instituição considerada culpada de negligência, má conduta profissional ou violações regulatórias enfrentará todo o rigor da lei”, disse Ogunyemi.
Ela pediu ao público que evite especulações sobre a morte enquanto a investigação oficial estiver em andamento.

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