
A captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos no sábado (3) pode ser considerada uma boa notícia para a Rússia e para a China. A avaliação é de Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O também pesquisador da Universidade de Harvard e do Carnegie Endowment foi um dos entrevistados do podcast O Assunto, no episódio deste domingo (4), que analisa os impactos do ataque norte-americano. OUÇA A ÍNTEGRA NO PLAYER ACIMA.
Para o professor, ao atacar a Venezuela, Trump viola o direito internacional e reforça uma visão de esferas de influência, ou seja, mostra que grandes potências podem fazer o que quiserem com seus países vizinhos.
Essa é a mesma lógica usada por Vladimir Putin, da Rússia, ao questionar a soberania da Ucrânia e pode ser o mesmo argumento usado pela China, se decidir atacar Taiwan, aponta Stuenkel.
“É uma boa notícia para Pequim, para Moscou. E, além disso, é uma boa notícia porque […], os Estados Unidos têm menos tempo para se preocupar com a Ucrânia ou com Taiwan e isso é exatamente o que a China e a Rússia querem”, afirma o professor.
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A reação do Brasil após Trump derrubar Maduro
Segundo o pesquisador, Trump está implementando um mundo mais parecido com o do século 19, quando as esferas de influência predominavam nas relações internacionais.
“Algo da retórica de Trump sobre a Ucrânia também sugere isso. Ele parece dizer que, de alguma forma, a Rússia tem interesses legítimos no leste europeu, desconsiderando a soberania ucraniana”, afirma.
Do mesmo modo, a Venezuela seria como um “quintal” dos Estados Unidos, justificando a intervenção, diz.
Captura de Maduro
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou ao centro de detenção em Nova York no fim da noite deste sábado (3), após ser capturado por autoridades dos Estados Unidos. A prisão ocorreu durante a madrugada, em Caracas, de acordo com o governo americano.
Em pronunciamento, Trump afirmou que os EUA vão comandar a Venezuela até a transição de governo e também controlar o petróleo do país. Também voltou acusar Maduro de chefiar um cartel de narcotráfico na região.
O presidente Donald Trump disse que avalia os próximos passos para o país sul-americano.
Também neste sábado, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, anunciou que Maduro será julgado pela Justiça americana em um tribunal de Nova York.
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