Álbum novo de Sabrina Carpenter não é tão ousado quando a capa
Título: “Man’s Best Friend”
Artista: Sabrina Carpenter
Nota: 6/10
Sabrina Carpenter dividiu opiniões quando revelou a capa de seu novo álbum, “Man’s Best Friend”, em junho deste ano. A foto mostra a cantora ajoelhada no chão, sendo puxada pelos cabelos pelo que parece ser uma figura masculina. À parte a discussão ideológica, a imagem prometia um disco, no mínimo, ousado — mas não foi bem isso que ela entregou nesta sexta-feira (29).
Ex-estrela da Disney que virou cantora pop, Sabrina foi um dos nomes mais comentados do pop em 2024, por causa do álbum “Short n’ Sweet”, especialmente da música “Espresso”, que chegou ao topo do ranking mundial do Spotify. O hit viral foi considerado pela revista americana “Billboard” a melhor música do primeiro semestre do ano passado.
Foram oito anos de carreira até a cantora estourar de verdade. Entre 2015 e 2023, ela lançou outros cinco trabalhos, sem grande repercussão. Como finalmente conseguiu, é natural que corra para se manter em alta. Mas talvez Sabrina tenha corrido demais. “Man’s Best Friend” soa como algo feito às pressas, para lançar o quanto antes.
Capa de ‘Man’s Best Friend’, álbum de Sabrina Carpenter
Divulgação
Musicalmente, ele destoa pouquíssimo do “Short n’ Sweet”: tem muito da música dos anos 1980 e dos sintetizadores brilhantes, que são marca do produtor Jack Antonoff, seu parceiro nos dois trabalhos. Também é carregado de referências do country, com menções estratégicas ao R&B.
E, assim como no trabalho anterior, tem bons momentos. Em “House Tour”, o vocal de Sabrina reluz em um pop groovado, com nuances de Prince. Na letra, ela faz insinuações espirituosas enquanto convida alguém para entrar em sua casa ao final de um encontro. É a melhor do disco.
Já “Manchild”, a faixa de abertura, é um delicioso passeio por batidas vibrantes de country pop em uma letra divertida sobre um homem tão gostoso quanto burro. Não à toa virou um hit instantâneo ao ser lançada como primeiro single do álbum, em junho.
O grande problema de “Man’s Best Friend” está em ser repetitivo demais: nos temas melódicos (explorando sempre as mesmas referências, as músicas se tornam um tanto parecidas), mas também nos líricos.
Em português, o nome do álbum significa “melhor amiga do homem”. E, de fato, nesse trabalho, Sabrina gasta muito tempo falando sobre… homens. Acima de tudo, sobre como eles podem ser lindos, mas deveriam ser mais responsáveis, atenciosos e ter mais iniciativa.
Sabrina Carpenter no Grammy 2025
Chris Pizzello/Invision/AP
Lamentos muito parecidos com os de “Manchild” também aparecem em “Tears” (cheia de sarcasmo, Sabrina diz aqui que “lágrimas escorrem” por suas coxas quando pensa no cara lavando a louça) e em “Sugar Talking” (nessa, ela reclama que ele precisa mostrar seu amor na prática, não só com conversinha fiada).
São demandas bastante legítimas, é claro. Mas, na terceira música falando as mesmas coisas sem nunca aprofundar tanto a crítica, você acaba sentindo falta de ouvir sobre outros assuntos.
Sabrina escreveu todas as 12 músicas do “Man’s Best Friend”. E ela é uma compositora afiada. Cheia de ironia, consegue fazer tudo parecer meio despretensioso: uma conversa entre amigas adolescentes espertas e descoladas. Seria incrível ver esse talento ser usado também para falar de temas mais maduros.

Sabrina Carpenter faz álbum repetitivo, que passa longe da ousadia prometida pela capa
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