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quinta-feira, janeiro 8, 2026
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‘Sem choro’: famílias viralizam ensinando ‘sinais’ para bebês se comunicarem antes da fala

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Sinais permitem que bebês se comuniquem antes de aprender a falar
“Quanto antes o bebê consegue comunicar uma necessidade sem precisar chorar, mais fácil a nossa vida, né?”, diz a influenciadora digital Marina Godward, em vídeo que viralizou nesta semana. Ela conta que virou adepta da chamada “linguagem de sinais”: uma técnica praticada por famílias para ensinar gestos a seus filhos, de modo que eles expressem suas vontades antes mesmo de aprenderem a falar.
Nesta reportagem, você entenderá:
como a estratégia funciona;
em que idade ela pode ser implementada;
se pode atrasar a fala;
se é obrigatória para o desenvolvimento;
quais os riscos e benefícios envolvidos.
‼️E um aviso importante: essa prática não tem relação com a comunidade surda e é totalmente diferente da Língua Brasileira de Sinais (Libras).
“Libras não é gesto. É uma língua, com sistema de sílabas, sintaxe e gramática próprias”, ressalta o otorrinolaringologista e foniatra Gilberto Ferlin, do Hospital Paulista (SP).
“Quando falamos de gestos com bebês ouvintes, estamos falando de sinais mais transparentes, convencionados dentro da família, sempre associados à fala”, diz o especialista, que também é professor da Divisão de Educação, Reabilitação e Distúrbios da Comunicação (Derdic) da PUC-SP.
👶Como a estratégia funciona?
Bebê aprende a ‘pedir mais’ antes de falar
Reprodução/Redes sociais
Quando o bebê tem de 6 a 8 meses, já desenvolveu a coordenação motora fina a ponto de conseguir fazer certos gestos. “Isso ocorre um pouco antes da coordenação oromotora, necessária para organizar palavras. Ou seja: a criança consegue expressar de forma não verbal o que quer”, explica Anderson Nitsche, neurologista infantil do Hospital Pequeno Príncipe (HP).
Os pais, então, ensinam a ela gestos que representam, por exemplo: “água”, “quero mais”, “mamar”, “trocar fralda” e “dormir”. Há materiais gratuitos disponíveis na internet com sugestões de sinais para cada ação — mas não é um código universal. As famílias podem ter os seus próprios, desde que usem sempre o mesmo padrão com o bebê.
➡️É fundamental que os adultos, ao usarem os sinais, SEMPRE pronunciem as palavras ao mesmo tempo.
Você quer perguntar se seu filho quer mais fruta? Pode juntar as pontas dos dedos, formando uma “conchinha” com cada mão e juntando a esquerda e a direita, desde que fale, no mesmo momento: “Você quer mais fruta?”.
Marina usa este sinal para representar o pedido de “mais”
Reprodução/Marina Godward
A tendência é que o bebê vá construindo a associação entre gesto e mensagem — com a repetição, passará a fazer essa mesma “mímica” quando quiser mais comida, mas ainda não souber falar.
“Foi facilitando nossa rotina, aí nos empolgamos. Quando a Olívia começou a comer, era difícil entender que ela queria água. Com o sinal, fica bem mais prático”, conta Godward, cuja filha, hoje com 1 ano, começou a usar os gestos aos 9 meses.
🍼Pode atrasar a fala?
O gesto deve ser um estímulo extra de comunicação. Em crianças de desenvolvimento típico, se os sinais sempre forem apresentados pelos adultos junto com fala, não causarão atrasos na oralidade, afirmam os especialistas entrevistados pelo g1.
“É bom sempre interpretar o gesto da criança e fazer uma pergunta em seguida, para que ela ouça as palavras e amplie seu vocabulário. ‘Quer comida? Você quer comida?’. Se ela só apontar para algo ou fizer o sinal e já receber o que quer, vai ser menos incentivada a começar a falar”, afirma Mariana Peters, fonoaudióloga da Falafetiva – Espaço de Fonoaudiologia.
A tendência é que, quanto mais palavras o bebê aprender a pronunciar, mais ele abandone naturalmente os gestos.
“Como é mais fácil se expressar pela fala do que fazendo gestos, a criança começa a se desenvolver e usar os braços para brincar, arremessar, engatinhar, alcançar as coisas… Acaba optando pelas palavras com o passar do tempo. Uma coisa não vai atrapalhar outra”, explica Ferlin, da Derdic-PUC-SP.
‼️E atenção: usando ou não a linguagem de sinais para bebês, é fundamental estar atento aos marcos do desenvolvimento.
Ferlin detalha: “Com 1 ano, a criança precisa falar duas ou três palavrinhas. Entre 18 e 24 meses, associar duas palavras. E, por volta dos 3 anos, uma pessoa que não a conheça precisa conseguir entendê-la.”
Não se acomode ao fato de o bebê crescer, não falar, mas conseguir se expressar por sinais.
“Pode acontecer de a criança se comunicar por gestos e os pais pensarem que tudo bem ela não falar. Mas precisa aprender até 1 ano e 4 meses, 1 ano e 6 meses, algumas palavrinhas. Se isso não ocorrer, é importante procurar um pediatra ou um fonoaudiólogo”, diz o neurologista Anderson Nitsche.
👣É obrigatório apresentar os sinais para garantir o bom desenvolvimento cognitivo da criança?
Não! Para os especialistas, a principal mensagem é de equilíbrio. Gestos podem ajudar, mas não substituem o afeto, a interação e a linguagem oral.
“O mais importante não é o método. É o cuidado, o vínculo, a troca, o acompanhamento do desenvolvimento em um contexto de harmonia. Quem não seguir a linguagem de sinais também vai se desenvolver e falar”, diz Nitsche.
Ou seja: a técnica não traz prejuízos, mas está longe de ser algo obrigatório.
👩‍🍼Quais os benefícios?
Filha de Marina Godward sinaliza que quer mais de algo
Arquivo pessoal
A maior parte das pesquisas científicas sobre sinais na infância foca em crianças surdas ou em contextos de bilinguismo em línguas de sinais. Entre os poucos estudos específicos com bebês ouvintes, há a indicação de efeitos positivos.
Uso de gestos pode reduzir frustrações: “A criança consegue se expressar de mais uma forma. Isso melhora a troca com os pais. Aquele choro reativo, por exemplo, pode diminuir com a comunicação”, diz o neurologista.
Relação familiar melhora: “O que chama atenção é que aumenta a qualidade do olhar dos pais para a criança. Eles passam a perceber melhor o que ela tenta comunicar”, afirma o especialista.
Por outro lado, há quem venda a técnica como uma “fórmula mágica” para deixar a criança com QI maior. Não se engane.
“Não há evidências de ganhos em inteligência ou desenvolvimento cognitivo acima do esperado. Não é a grande sacada do desenvolvimento. Pode agregar, mas repito: não é essencial”, afirma o neurologista.
Influenciadora Addie McCracken compartilha o que já ensinou aos filhos em linguagem de sinais
Reprodução/Redes sociais

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