Toyota Corolla Cross Hybrid é econômico, mas potência deixa a desejar; veja o teste
Até o momento da publicação deste teste, o Toyota Corolla Cross XRX Hybrid é o único SUV híbrido pleno flex disponível no mercado. Embora isso represente uma vantagem significativa, o modelo não tem conseguido traduzir esse diferencial em boas vendas.
Este Corolla Cross passou por uma atualização em 2025 e recebeu equipamentos relevantes para tentar enfrentar a concorrência das marcas chinesas, que nos primeiros sete meses deste ano já venderam consideravelmente mais no mesmo segmento.
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De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), este é o ranking dos veículos híbridos mais vendidos no Brasil entre janeiro e julho de 2025, considerando todas as versões de cada modelo:
BYD Song Pro: com 12.457 unidades vendidas (147,2% mais que o Corolla Cross);
BYD King: com 7.221 unidades vendidas (43,3% mais que o Corolla Cross);
GWM Haval H6 HEV: com 6.611 unidades vendidas (31,2% mais que o Corolla Cross);
Toyota Corolla Cross: 5.039 unidades vendidas.
O g1 testou o Toyota Corolla Cross XRX Hybrid, percorrendo cerca de 700 quilômetros por estradas do interior paulista e enfrentando vários dias no trânsito de São Paulo (SP), para avaliar se as novidades do modelo podem impulsionar suas vendas.
Toyota Corolla Cros XRX Hybrid 2026
Rafael Leal/g1
Por fora, quem já viu um Corolla Cross pelas ruas nos últimos anos não vai notar grandes mudanças. Ele tem grade frontal mais minimalista para ser moderno, mas ainda passa um ar mais conservador.
Visualmente, o Corolla Cross continua sendo mais modesto que os modelos da Kia, por exemplo. Ele também demonstra uma proposta mais comedida em comparação aos veículos da BYD e GWM, mesmo entre os que têm preço inferior.
Uma mudança significativa foi feita no interior do SUV: o freio de estacionamento deixou de ser acionado pelo pé, como era comum em picapes das décadas de 1980 e 1990, como a Chevrolet D-20.
Toyota Corolla Cros XRX Hybrid 2026 por fora
A nova central multimídia, agora com 10 polegadas, a câmera 360 graus e o painel de instrumentos digital completo seguem a mesma linha e adicionam a modernidade já presente em concorrentes que agradam o público interessado em modelos híbridos — basta ver que o BYD Song Pro vendeu muito mais, mesmo sem o peso da marca Toyota.
A BYD tem mais um trunfo: o Song Pro é um híbrido plug-in, equipado com uma bateria significativamente maior. Essa capacidade extra permite rodar em modo elétrico por até 62 quilômetros.
Imagine que a distância entre sua casa e o trabalho seja de cinco quilômetros por trajeto: nesse caso, seria possível fazer o percurso de ida e volta durante uma semana inteira sem gastar uma gota de combustível. Isso não é possível no Corolla Cross híbrido.
Toyota Corolla Cros XRX Hybrid 2026 por dentro
Motor, o calcanhar de Aquiles
Embora seja um modelo híbrido, o desempenho do Corolla Cross não chama atenção. Ele vem com um motor a combustão 1.8 aspirado, de 101 cv, ligado a um câmbio automático, que funciona em conjunto com dois motores elétricos que entregam cerca de 70 cv.
A potência dos motores não é simplesmente somada. Segundo a Toyota, o sistema híbrido entrega 122 cv combinados e 16,6 kgfm de torque. Levando esses números em conta, há modelos mais potentes que nem usam motor elétrico. O hatch Citroën C3 You, por exemplo, oferece 130 cv e 20,4 kgfm de torque.
Toyota Corolla Cros XRX Hybrid 2026
Rafael Leal/g1
Em comparação com concorrentes híbridos na mesma faixa de preço, como o BYD Song Pro e o GWM Haval H6 HEV2, o Corolla Cross tem desempenho bem inferior. Os rivais chegam a ser quase duas vezes mais potentes.
GWM Haval H6 HEV2: 243 cv, 99,2% mais potente;
BYD Song Pro: 223 cv, 82,8% mais potente.
O desempenho aquém do esperado fica claro com as acelerações pouco empolgantes.
Nenhum SUV é focado em queimar a pista e cantar pneu, mas as retomadas na estrada são bastante vagarosas. É uma situação que se repete nas viagens, mesmo com a bateria bem carregada e auxiliando o motor a combustão.
Na cidade, a potência mais modesta foi menos perceptível — e a lentidão do trânsito de São Paulo ajuda a não sentir falta da potência. Nos trechos urbanos, o motor elétrico atuou bem para oferecer o torque instantâneo característico dos modelos eletrificados, garantindo arrancadas mais seguras.
Do ponto de vista de consumo, não há o que criticar. Segundo dados oficiais do Inmetro, o modelo registra 16,6 km/l na cidade e 14 km/l na estrada com gasolina. No entanto, os resultados foram ainda mais positivos no teste:
22,5 km/l na cidade;
17 km/l na estrada.
São números maiúsculos, que revertem em economia. A grande questão para o consumidor é a sensação de que, pelo mesmo valor, há opções que equilibram melhor o consumo de um híbrido com uma potência que dá mais prazer ao volante.
Toyota Corolla Cros XRX Hybrid 2026
André Fogaça/g1
Os ajustes de conforto do Corolla Cross híbrido são ótimos. A suspensão e a direção são bem calibradas para garantir conforto perceptível tanto na cidade quanto na estrada.
Seja em acelerações mais bruscas ou em condução urbana suave — geralmente em torno de 50 km/h — os solavancos do asfalto foram mínimos na cabine. Ao mesmo tempo, em curvas fechadas, o carro manteve a estabilidade sem transmitir a sensação de perda de controle.
Esse conforto adicional está ligado a um aspecto que chama a atenção de quem dirige: embora seja um SUV — naturalmente mais alto — o Corolla Cross híbrido não exagera nessa característica típica do segmento.
A altura mais baixa contribui para a estabilidade geral do veículo — seja o modelo testado ou qualquer outro. Ainda no aspecto da condução, um recurso que chamou atenção foi o piloto automático adaptativo com auxílio para centralização do carro na faixa.
Na maioria dos veículos, esse sistema identifica as faixas pintadas na pista e centraliza o carro, desativando-se quando a sinalização está ausente ou desgastada. No caso do Corolla Cross híbrido, em situações como essa, o sistema utiliza o veículo à frente como referência, posicionando-o como o “centro da faixa” inexistente.
Se o carro à frente se desloca para a esquerda, o Corolla Cross o acompanha. Se vai para a direita, faz o mesmo. Cabe ao motorista avaliar se o veículo à frente está, de fato, alinhado com a faixa que deveria existir.
Seguir o carro da frente quando não existe faixa pintada é um recurso que nem mesmo o Haval H6 ou BYD Song Pro possuem.
Ou seja: um novo motor teria tudo para deixar a decisão de compra mais embolada — e diminuiria o arranque dos chineses que, hoje, dominam o mercado.
Com quem o Corolla Cross híbrido concorre?
Antes da ascensão dos modelos chineses, o Corolla Cross híbrido liderava o segmento. Esse domínio foi perdido em 2024, quando o SUV caiu para a terceira posição no ranking. Neste ano, recuou ainda mais, ocupando o sexto lugar.
Diante desse cenário, as melhorias feitas no Toyota Corolla Cross híbrido são um bom primeiro passo para tentar reverter o desempenho fraco nas vendas.
O modelo ficou mais moderno e finalmente deixou de lado o freio de mão acionado pelo pé, mas o motor pouco empolgante e os acabamentos mais refinados dos concorrentes não apenas parecem melhores na ficha técnica — eles também conquistaram mais compradores.
Nem o fato de ser o único híbrido pleno com motor flex parece ter funcionado como diferencial competitivo.
O rival mais direto é o Song Pro, que custa até R$ 29,9 mil a menos. Já o Haval H6 HEV2 tem preço praticamente igual — apenas R$ 110 acima do Corolla Cross híbrido — e oferece quase o dobro da potência, além de porta-malas maior e acabamento mais sofisticado.
Fica difícil afirmar que o novo Corolla Cross híbrido compete de forma equilibrada. Ele precisa oferecer mais. Ou custar menos. Nem mesmo a força da marca Toyota e a confiança que ela transmite têm sido suficientes para conter o avanço dos concorrentes chineses.

Toyota Corolla Cross híbrido se esforça para peitar chineses, mas sofre com motor fraco; VÍDEO
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