O grupo paulistano Turma do Pagode posa com Zeca Pagodinho na gravação ao vivo do álbum ‘Turma canta Zeca’
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♫ CRÍTICA DE ÁLBUM
Título: Turma canta Zeca Pagodinho
Artista: Turma do Pagode
Cotação: ★ ★ ★ ★
♬ Grupo que reforçou o time do pagode romântico de sotaque paulista ao entrar em campo em 2001, mas com sonoridade essencialmente percussiva e com o toque de um banjo à moda carioca, a Turma do Pagode pegou a ponte aérea no ano passado, em aceno para os quintais do Rio de Janeiro (RJ), para cantar o repertório de Zeca Pagodinho em álbum ao vivo.
A gravação foi feita em 17 de novembro em roda comandada pela Turma no Bar do Zeca Pagodinho, na filial do bar na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro (RJ), com o toque da gaita de Rildo Hora – produtor de álbuns relevantes de Zeca – na música “Ogum” (Claudemir e Marquinho PQD, 2008).
Disponibilizado na íntegra na noite de quarta-feira, 4 de fevereiro, dia do 67º aniversário do cantor e compositor de sucessos como “Judia de mim” (Wilson Moreira e Zeca Pagodinho, 1986), o álbum “Turma canta Zeca Pagodinho” soa fiel ao espírito carioca dos sambas e partidos altos do repertório do artista revelado em 1983 ao participar de álbum de Beth Carvalho (1946 – 2019).
A Turma canta Pagodinho com a espontaneidade, o calor e a animação das rodas de samba. Diferentemente de Teresa Cristina, que deu voz somente ao cancioneiro autoral do compositor no recém-lançado álbum “Jessé – As canções de Zeca Pagodinho” (2026), a Turma também selecionou músicas dos quais Zeca é somente o intérprete sagaz no canto de partidos e sambas malemolentes.
O álbum da Turma agrega 34 músicas em 20 faixas que totalizam uma hora e 15 minutos. Nessa seleção de sambas aliciantes, somente faz sentido a inclusão de música inédita autoral, “Pedindo a conta” (Leandro Filé e Rosyl, 2025), porque Zeca participa da faixa, previamente apresentada em single editado em 10 de dezembro.
Verdade seja dita, mesmo sem um traço de originalidade na execução desse ótimo repertório, o álbum “Turma canta Zeca Pagodinho” flui bem. O alto número de medleys nas 20 faixas – dez, que juntam dois ou três sambas afins – contribui para acentuar a sensação de que o ouvinte está em roda de samba em que importam menos os conceitos e os virtuosismos vocais e mais o calor e a força do samba tocado ao vivo.
Esse tom caloroso é garantido pela sonoridade percussiva da Turma do Pagode, cuja base instrumental soa afinada com o som dos quintais frequentados pela geração de Zeca. A interação do pandeiro de Rubinho, do surdo de Fabiano Art, do reco-reco de Thiagão, do repique de mão de Neni Art e do tantã do vocalista Leíz cria sólida base percussiva para que a Turma harmonize o repertório de Zeca com os toques do banjo de Caramelo, o cavaco de Marcelinho TDP e o violão de Leandro Filé.
Mesmo comum no terreirão do samba carioca, a receita instrumental é infalível. A Turma do Pagode prioriza os sucessos de Zeca na seleção de repertório que vai de 1986 – ano do primeiro álbum solo de Zeca Pagodinho, título blockbuster da discografia do samba – a 2019, ano do último álbum com músicas inéditas do sambista, “Mais feliz”.
Contudo, surgem entre os hits algumas pérolas escondidas no baú do pagode. “Nega dadivosa” (Bandeira Brasil, Serginho Procópio e Bandeira Brasil, 1997) reaparece cheia de ginga, sedutora, em gravação que – justiça seja feita – ombreia com a gravação original feita por Zeca há 29 anos para o álbum “Hoje é dia de festa” (1997) porque a Turma turbinou o samba com o calor das rodas.
Outra joia lapidada pela Turma é “O sol e a brisa” (1988), samba de lirismo iluminado pela participação de Mauro Diniz, parceiro de José Franco Lattari (1952 – 2007), o Franco, na criação desse samba apresentado por Zeca no terceiro álbum do artista, “Jeito moleque” (1988).
Neto de Zeca, Noah também entra na roda da Turma, cantando “Lama nas ruas” (Almir Guineto e Zeca Pagodinho, 1986) e – justiça seja feita mais uma vez – o adolescente de 15 anos se afina na roda do grupo, para orgulho do avô.
Em roteiro pavimentado com hits certeiros como “Coração em desalinho” (Monarco e Ratinho, 1986), “Faixa amarela” (Zeca Pagodinho, Jessé Pai, Luis Carlos e Beto Gago, 1997), “Posso até me apaixonar” (Dudu Nobre, 1997) e “Deixa a vida me levar” (Serginho Meriti e Eri do Cais, 2002), a Turma do Pagode abre espaço para a entrada do próprio Zeca Pagodinho na roda.
O homenageado do álbum se junta ao grupo no canto do medley que junta “Não sou mais disso” (Jorge Aragão e Zeca Pagodinho, 1996) com “Mania da gente” (Mário Sérgio, Carica e Luizinho SP, 1990).
Enfim, com cozinha azeitada, a Turma do Pagode honra o repertório de Zeca Pagodinho neste álbum que se já impõe como o título mais coeso da discografia do grupo paulistano.
Capa do álbum ‘Turma canta Zeca Pagodinho’, da Turma do Pagode
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Turma do Pagode canta o repertório de Zeca Pagodinho em álbum com o calor e a espontaneidade das rodas de samba
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